terça-feira, 5 de novembro de 2024

 


América, em dia de eleições

Não alimento grandes estados de alma em relação aos EUA. É um país grande (enorme) e grandioso, com paisagens exuberantes, e culturas diversas. Muito do que sou foi moldado pela cultura americana: os livros, os filmes, as ideias...
Tem tanto de bom como de mau. É um país.

Estou curioso para ver o desfecho destas eleições, mas tal como muitas pessoas lá e pelo mundo, estou desolado pelo estado de baixeza a que se chegou no combate ao mais alto nível da política. Um país bipolarizado, com cada lado a dizer que vai votar "pelo mal menor" (Prova da má qualidade dos seus candidatos).

Para mim, muito do que está a acontecer tem a ver com uma progressiva radicalização da sociedade, e rutura do tecido social. É o abandono dos valores tradicionais, e a exaltação da individualidade, que está a cavar um fosso cada vez mais fundo entre as pessoas.
Diferenças entre republicanos e democratas sempre as houve. Hoje, as posições acerca da economia, da política externa (em especial com a guerras na Ucrânia e Médio Oriente), da emigração e da família, estão na ordem do dia. A importância destes assuntos variam de pessoa para pessoa. Para alguns, a economia, e a criação de riqueza é o mais importante. Para outros, a emigração é o assunto mais crítico. Para outros ainda, é a guerra, mais precisamente, a posição dos EUA face a elas.

E depois há a família. Sob este título eu incluo as questões de género, a sexualidade, o casamento, o sempre difícil tema do aborto, e a cultura de cancelamento, entre outras. Chamo-lhe a área da família porque todos estes temas têm como principal alvo, ou vítima, a família.
Uma sociedade que pela força da lei, retira um jovem aos seus pais, se eles se opõe à sua vontade de "mudar de sexo", é uma sociedade ferida. Quanto sofrimento é imposto à família... em nome de um suposto direito, que mais não é do que um engodo para enriquecer certa indústria e "medicina".

A sexualidade, há muito que se entregou à mera busca do prazer, desligada do compromisso de fidelidade e fecundidade entre o homem e a mulher. O consentimento mútuo é a única regra, tudo o resto vale.

O casamento foi redefinido, perdendo o seu sentido único e original da união duradoura entre um homem e uma mulher, aberta à geração de nova vida. Ao incluir na definição de casamento a união entre pessoas do mesmo sexo, o sentido original perde-se. Ao contrário do que dizem os seus defensores, a equiparação do "casamento homossexual" ao casamento tradicional, não é indiferente. É um brutal ataque à família.

Já o aborto, foi sempre um tema difícil e doloroso. E será sempre. É o abuso e a liberalização extrema deste procedimento que estão a destruir a sociedade americana. Ignorar ou minimizar o escândalo dos abortos até ao 3º trimestre, e a perversa pílula abortiva, é um erro. Chamam-lhe "direitos reprodutivos", mas na verdade, estão a empurrar as mulheres para um trágico destino. O maior direito das mulheres é o direito a serem mães. Muito há a dizer sobre isto.

Deus inventou o homem e a mulher, um para o outro. Não fomos nós que nos criámos a nós próprios. Deus inventou o sexo, a família, e o casamento. Quando nos pomos a fazer de Deus, dá asneira. Só quando reconhecemos a lei natural conseguimos ser minimamente felizes, apesar das nossas falhas.

Metade da América está zangada com o mundo como ele é, e culpa o passado e a ordem presente por todas as desigualdades e problemas .É o chamado "wokismo" (do inglês woke). Essa distorção da história e da ordem natural das coisas está a impor um pesado fardo a todos, que um dia ficará evidente. Infelizmente, até muitos cristãos se deixam levar nesta onda diabólica, sem se darem conta. Só quando o movimento woke abrandar e se dissipar é que voltará a haver paz social na América, e poderemos debater política como deve ser. Até lá, que Deus tenha piedade de nós.