terça-feira, 15 de outubro de 2013

Centro de Gravidade

Para te cantar, meu Senhor Jesus, como gostaria de ter olhos de águia, coração de criança e uma língua polida pelo silêncio!
Toca o meu coração, Senhor Jesus Cristo; toca-o e verás como vão despertar os sonhos enterrados nas raízes humanas desde o princípio do mundo.
Todas as nossas vozes se juntam às Tuas portas.
Todas as nossas ondas morrem nas tuas praias.
Todos os nossos ventos
dormem nos teus horizontes.
Os desejos mais recônditos, sem o saber,
Te reclamam e Te invocam.
Os anelos mais profundos
buscam-te impacientemente.
És noite estrelada, música de diamantes,
vértice do universo, fogo de pederneira.
No sítio onde pousas o Teu pé chagado
o planeta arde em sangue e ouro.
Caminhas sobre as correntes sonoras
e pelos cumes nevados.
Sussurras nos bosques seculares.
Sorris na murta e na giesta.
Respiras nas algas, fungos e líquenes.
Em toda a imensidão do universo mineral e vegetal
sinto-Te nascer, crescer, viver, rir, falar.
És o pulsar do mundo, meu Senhor Jesus Cristo.
És aquele que constantemente estás a vir
desde as distantes galáxias,
desde o epicentro da terra,
e desde o âmago do tempo; vens desde sempre,
desde há milhões de anos-luz.
NA tua fronte resplandece o destino do mundo e no
Teu coração concentra-se o fogo dos séculos.
Com o meu coração deslumbrado perante tanta
maravilha, inclino.me para Te dizer:
Tu serás o Rei dos meus territórios.
Para Ti será o fogo do meu sangue.
Tu serás o meu caminho e a minha luz,
a causa da minha alegria,
a razão do meu existir e o sentido da minha vida,
a minha bússola e o meu horizonte,
o meu ideal, a minha plenitude
e o meu destino final.
Para mim não há nada fora de Ti.
Para Ti será a minha última canção.
Glória e honra para sempre a Ti.
Rei dos séculos!

Frei Ignacio Larranaga
fundador das Oficinas de Oração e Vida

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Eles escolheram esperar

casal à beira-mar a beijar-se
Sou um ouvinte da Antena 1 e gosto quando, na minha viagem matinal para o trabalho, consigo apanhar o "Amor é" do Professor Júlio Machado Vaz  (http://murcon.blogspot.pt/). Hoje o assunto fez-me levantar as orelhas. Tratava-se de uma nótícia, proveniente do Brasil, que informava do crescente número de jovens brasileiros (mais de 2 milhões) que estão a aderir a movimentos que apelam à castidade, ou seja, a sexo só depois do [dia do] casamento. Está aqui para ouvir:
Podcast O amor é 16-5-2013
 Fiquei curioso com a opinião que JMV teria sobre esta notícia. No início do spot acabara de afirmar, respondendo a uma pergunta da sua interlocutora Inês Meneses, que concordava que estamos a assistir na nossa sociedade a uma banalização do sexo, mas que "considerar todo o sexo fora do casamento como promíscuo, só por cima do meu cadáver" (sic). Muito bem. Seguiu-se o comentário à notícia. Primeira nota: condenação de manifestações de intolerência para com estes movimentos. "Inaceitável" (sic). Ou seja, os rapazes e as raparigas querem esperar até ao casamento, e estão no seu direito, ninguém tem nada que criticar ou julgar. Mas a simpatia pela ideia fica por aqui, porque JMV está em completo desacordo com a ideia do sexo só dentro do casamento.  E seguiu dizendo que há estudos que mostram que estes jovens "castos" tomam menos precauções contracetivas do que os jovens "liberais". Ou seja, quando caem em tentação fazem-no num estado de espírito de negação, logo, mais expostos aos riscos de engravidar.
Agora falo eu. O casamento é precisamente a instituição da união carnal do homem e da mulher. Esta ideia de que o casamento é uma formalidade legal, um contrato, dissociado da união dos corpos, é uma ideia recente das sociedades pós-modernas que se infiltrou nas culturas ocidentais (Europa, Canadá, parte dos EUA). A partir da revolução sexual dos anos 60, e com a invenção da pílula, estavam criadas as condições para libertar o homem (e a mulher) do fardo da gravidez associada ao sexo. Pois na perspetiva do pensamento atual o sexo é um direito absoluto, que se sobrepõe a outros instintos igualmente fortes. Violência infantil é condenável, todos estão de acordo. Exceto se estiver em causa o inalienável direito à satisfação sexual do pai ou da mãe, caso em que o divórcio restabelece esse direito, deixando os filhos traumatizados e com sérias dificuldades de estabelecer uma família estável (dados comprovados esatatisticamente). O sexo já conseguiu superar um dos mais fortes instintos da natureza, o instinto maternal, levando milhões de mulheres nos países ocidentais a matar os seus filhos porque... porque são um efeito colateral do seu sacrosanto direito à liberdade sexual. Honestidade também é um valor universalmente aceite. Exceto se estiver em causa o prazer sexual, caso em que se permite uma "escapadinha" do marido ou da mulher. É verdade, é neste mundo que nós vivemos. E ainda nos admiramos de os muçulmanos chamarem à cultura ocidental "o grande satã". Perdemos a vergonha na cara.
Eu não consigo concordar com JMV porque não se pode agradar a Deus e ao Diabo. Temos que ser muito claros e honestos. Se Deus quisesse que o sexo fosse só diversão, então tinha feito os bebés nascerem em Paris e virem de cegonha. Ou tinha separado os órgãos reprodutores dos do prazer. Estamos a assumir uma inversão total do simbolismo do sexo. A união física de um homem e uma mulher é a experiência mais completa, mais sublime que se pode ter deste lado do céu.Nada mais permite dar e receber simultâneamente tanto prazer e sentido de comunhão. Para quem acredita em Deus, o sexo é uma imagem dessa fusão que iremos ter com Ele no céu.
Quanto eu era adolescente, também fui na onda. Ah, pois fui. Felizmente tive sorte. Mas podia ter condicionado a minha vida para sempre ao ser pai solteiro. Um dia encontrei um livro que me apresentou estes assuntos de uma forma completamente nova. Procurei outro, e depois outro. Ouvi outras ideias, e aos poucos fez-se luz. Entendi.
Eis a minha posição: o facto de ter errado não me impede de alertar os meus amigos e próximos para o outro lado do problema. "porque fiz, tenho que ser tolerante com quem faz". Este é o grande mal da nossa sociedade atual, chama-se a isto o relativismo. Não existe uma lei absoluta, uma verdade inabalável. Tudo é dependente de, enquadrado em, ponderado com. Isto está a destruir a nossa condição humana aos poucos.

Os jovens precisam ouvir a verdade, nesta sociedade impregnada de erotismo, onde o sexo é um produto comercial.
Concluo, portanto, que na nossa sociedade andamos seriamente enganados. E estamos tão imersos nesta cultura relativista que nem temos coragem para questionar  os nossos princípios e as nossas opções de vida, que os mais novos vão adquirindo.
É preciso termos coragem de dizer aos jovens, e aos adultos algumas coisas sobre o sexo:
(1) o sexo é bom, mas não se morre por não fazer sexo. Morre-se de sede, de fome, de asfixia, de hemorragia, de choque, de traumatismo, mas não se morre sem sexo, nem se fica com burbulhas verdes na testa.
(2) essa ideia de que é preciso experimentar o sexo antes de casar porque pode não "encaixar bem" é a maior parvoíce de que há memória. Então, se a experiência não correr bem, como é? Adeusinho, foi bom, mas não dá... "não encaixamos"... isso não é amor, pois não? Mais: um casal sabe que se demora ANOS a atingir um bom entendimento sexual. É uma aprendizagem longa, e está-se sempre a descobrir coisas novas. Um piloto tem que conduzir o mesmo carro muitas vezes, não pode andar sempre a trocar de carro se quiser ser um campeão!
(3) quando um rapaz e uma rapariga decidem dar o passo e ter relações, estão a casar-se. Se ambos assumirem em consciência esse passo e assumirem em conjunto aceitar uma consequente gravidez, então que o façam. Mas esse compromisso é a base do casamento.
(4) raparigas: ajudem os vossos namorados a resistir à pressão para experimentarem cedo. Não se esqueçam que quem fica com o bebé nas mãos são vocês. E não pensem que por haver preservativos, pílulas, e outras tecnologias, que não vai acontecer. Vai acontecer. Acontece todos os dias. Há milhares de raparigas mães solteiras. Porquê? Porque tiveram pressa.
(5) por estranho que pareça, fazer sexo não é o objetivo último do casamento. O casamento consuma-se no sexo, sim, mas não se completa nele. O objetivo do casamento é constituir uma família, o sítio onde nos tornamos ser humanos em plenitude. E se por motivo de doença ou ausência o sexo não for possível... a família continua junta, firme e unida.

Há dezenas de argumentos para ter sexo fora do casamento, assim como há outras tantas para não o fazer. Mas o que conta é isto: onde está a verdade?