Sou um ouvinte da Antena 1 e gosto quando, na minha viagem matinal para o trabalho, consigo apanhar o "Amor é" do Professor Júlio Machado Vaz (http://murcon.blogspot.pt/). Hoje o assunto fez-me levantar as orelhas. Tratava-se de uma nótícia, proveniente do Brasil, que informava do crescente número de jovens brasileiros (mais de 2 milhões) que estão a aderir a movimentos que apelam à castidade, ou seja, a sexo só depois do [dia do] casamento. Está aqui para ouvir:
Podcast O amor é 16-5-2013
Fiquei curioso com a opinião que JMV teria sobre esta notícia. No início do spot acabara de afirmar, respondendo a uma pergunta da sua interlocutora Inês Meneses, que concordava que estamos a assistir na nossa sociedade a uma banalização do sexo, mas que "considerar todo o sexo fora do casamento como promíscuo, só por cima do meu cadáver" (sic). Muito bem. Seguiu-se o comentário à notícia. Primeira nota: condenação de manifestações de intolerência para com estes movimentos. "Inaceitável" (sic). Ou seja, os rapazes e as raparigas querem esperar até ao casamento, e estão no seu direito, ninguém tem nada que criticar ou julgar. Mas a simpatia pela ideia fica por aqui, porque JMV está em completo desacordo com a ideia do sexo só dentro do casamento. E seguiu dizendo que há estudos que mostram que estes jovens "castos" tomam menos precauções contracetivas do que os jovens "liberais". Ou seja, quando caem em tentação fazem-no num estado de espírito de negação, logo, mais expostos aos riscos de engravidar.
Agora falo eu. O casamento é precisamente a instituição da união carnal do homem e da mulher. Esta ideia de que o casamento é uma formalidade legal, um contrato, dissociado da união dos corpos, é uma ideia recente das sociedades pós-modernas que se infiltrou nas culturas ocidentais (Europa, Canadá, parte dos EUA). A partir da revolução sexual dos anos 60, e com a invenção da pílula, estavam criadas as condições para libertar o homem (e a mulher) do fardo da gravidez associada ao sexo. Pois na perspetiva do pensamento atual o sexo é um direito absoluto, que se sobrepõe a outros instintos igualmente fortes. Violência infantil é condenável, todos estão de acordo. Exceto se estiver em causa o inalienável direito à satisfação sexual do pai ou da mãe, caso em que o divórcio restabelece esse direito, deixando os filhos traumatizados e com sérias dificuldades de estabelecer uma família estável (dados comprovados esatatisticamente). O sexo já conseguiu superar um dos mais fortes instintos da natureza, o instinto maternal, levando milhões de mulheres nos países ocidentais a matar os seus filhos porque... porque são um efeito colateral do seu sacrosanto direito à liberdade sexual. Honestidade também é um valor universalmente aceite. Exceto se estiver em causa o prazer sexual, caso em que se permite uma "escapadinha" do marido ou da mulher. É verdade, é neste mundo que nós vivemos. E ainda nos admiramos de os muçulmanos chamarem à cultura ocidental "o grande satã". Perdemos a vergonha na cara.
Eu não consigo concordar com JMV porque não se pode agradar a Deus e ao Diabo. Temos que ser muito claros e honestos. Se Deus quisesse que o sexo fosse só diversão, então tinha feito os bebés nascerem em Paris e virem de cegonha. Ou tinha separado os órgãos reprodutores dos do prazer. Estamos a assumir uma inversão total do simbolismo do sexo. A união física de um homem e uma mulher é a experiência mais completa, mais sublime que se pode ter deste lado do céu.Nada mais permite dar e receber simultâneamente tanto prazer e sentido de comunhão. Para quem acredita em Deus, o sexo é uma imagem dessa fusão que iremos ter com Ele no céu.
Quanto eu era adolescente, também fui na onda. Ah, pois fui. Felizmente tive sorte. Mas podia ter condicionado a minha vida para sempre ao ser pai solteiro. Um dia encontrei um livro que me apresentou estes assuntos de uma forma completamente nova. Procurei outro, e depois outro. Ouvi outras ideias, e aos poucos fez-se luz. Entendi.
Eis a minha posição: o facto de ter errado não me impede de alertar os meus amigos e próximos para o outro lado do problema. "porque fiz, tenho que ser tolerante com quem faz". Este é o grande mal da nossa sociedade atual, chama-se a isto o relativismo. Não existe uma lei absoluta, uma verdade inabalável. Tudo é dependente de, enquadrado em, ponderado com. Isto está a destruir a nossa condição humana aos poucos.
Os jovens precisam ouvir a verdade, nesta sociedade impregnada de erotismo, onde o sexo é um produto comercial.
Concluo, portanto, que na nossa sociedade andamos seriamente enganados. E estamos tão imersos nesta cultura relativista que nem temos coragem para questionar os nossos princípios e as nossas opções de vida, que os mais novos vão adquirindo.
É preciso termos coragem de dizer aos jovens, e aos adultos algumas coisas sobre o sexo:
(1) o sexo é bom, mas não se morre por não fazer sexo. Morre-se de sede, de fome, de asfixia, de hemorragia, de choque, de traumatismo, mas não se morre sem sexo, nem se fica com burbulhas verdes na testa.
(2) essa ideia de que é preciso experimentar o sexo antes de casar porque pode não "encaixar bem" é a maior parvoíce de que há memória. Então, se a experiência não correr bem, como é? Adeusinho, foi bom, mas não dá... "não encaixamos"... isso não é amor, pois não? Mais: um casal sabe que se demora ANOS a atingir um bom entendimento sexual. É uma aprendizagem longa, e está-se sempre a descobrir coisas novas. Um piloto tem que conduzir o mesmo carro muitas vezes, não pode andar sempre a trocar de carro se quiser ser um campeão!
(3) quando um rapaz e uma rapariga decidem dar o passo e ter relações, estão a casar-se. Se ambos assumirem em consciência esse passo e assumirem em conjunto aceitar uma consequente gravidez, então que o façam. Mas esse compromisso é a base do casamento.
(4) raparigas: ajudem os vossos namorados a resistir à pressão para experimentarem cedo. Não se esqueçam que quem fica com o bebé nas mãos são vocês. E não pensem que por haver preservativos, pílulas, e outras tecnologias, que não vai acontecer. Vai acontecer. Acontece todos os dias. Há milhares de raparigas mães solteiras. Porquê? Porque tiveram pressa.
(5) por estranho que pareça, fazer sexo não é o objetivo último do casamento. O casamento consuma-se no sexo, sim, mas não se completa nele. O objetivo do casamento é constituir uma família, o sítio onde nos tornamos ser humanos em plenitude. E se por motivo de doença ou ausência o sexo não for possível... a família continua junta, firme e unida.
Há dezenas de argumentos para ter sexo fora do casamento, assim como há outras tantas para não o fazer. Mas o que conta é isto: onde está a verdade?

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